9 coisas que aprendi a nunca fazer em frente aos meus filhos

Os miúdos são verdadeiras esponjas. E reproduzem tudo aquilo que ouvem e veem fazer. Principalmente no recato do lar.

Lá em casa tenho dois autênticos macaquinhos de imitação, que apanham tudo o que digo ou faço. São implacáveis e não perdoam uma falha, parecem ter herdado a veia de gozão do Pai…

Bons ou maus, somos os maiores exemplos para os nossos filhos. Que, pelo menos até certa idade, olham para nós como ídolos. “És o melhor Pai do Mundo”, ouvi algumas vezes, sem conseguir conter a baba de orgulho. O que também aumenta a responsabilidade na mais difícil tarefa do mundo: criar uma criança.

Por tudo isto, deixo-vos alguns exemplos de situações em que considero que os pais devem cuidado para não acontecerem em frente aos filhos.

9 coisas que aprendi a nunca fazer em frente aos meus filhos. Para refletirem.

1 – Discussões conjugais

As crianças percebem tudo, muito mais do que você pensa. As mudanças de humor e de comportamento dos pais não lhes escapam, embora muitas das vezes não percebam o porquê. E quando há uma discussão entre os pais à frente deles? É demasiado forte para eles, acredite. E pode ter repercussões a longo prazo. Não há nada como respirar fundo e remeter essa discussão (prefiro falar em conversa…) para depois, quando já estiverem a dormir. Combine esta estratégia previamente com o seu cônjuge, para que nestas situações se lembrem sempre de a aplicar.

2 – Dizer asneiras

Parece óbvio, não é? Se é daqueles que costuma deixar sair um palavrão com frequência, prepare-se. É provável que um destes dias também ouça o seu filho a dizer o mesmo. Depois não se queixe! Se numa situação de stress lhe sair alguma asneira, não há nada como explicar que não a devia ter dito (afinal, os pais também erram) e que não se deve MESMO repetir.

3 – Perder a cabeça

Nem sempre é fácil manter a cabeça fria com as crianças, há momentos em que nos levam ao limite e a paciência se esgota. Mas faça por nunca perder as estribeiras, não desate aos gritos ou ceda à tentação de bater aos seus filhos. Respirar fundo antes de agir pode ser um bom princípio.

4 – Tomar medicamentos

É importante não passar a ideia de que os remédios são como rebuçados: podem comer-se a toda a hora (embora este também não seja um bom princípio em relação às guloseimas). Medicamentos (comprimidos ou vitaminas, por exemplo) são para tomar apenas quando estritamente necessário. Tente fazê-lo quando os seus filhos não estiverem a ver.

5 – Atravessar fora da passadeira

Aposto que neste ponto se sente um bocadinho culpada. Certo? É algo básico, mas que nem os adultos costumam cumprir. Eu até posso não o fazer quando estou sozinho com pressa e não vejo uma passadeira por perto, mas se estiver com os meus filhos é ponto assente: atravessar, só na passadeira. Faço questão de dar o exemplo.

6 – Fazer a barba

O meu filho de 6 anos acha muita graça a ver-me cumprir o ritual de fazer a barba, com a cara cheia de espuma. Há uns tempos apanhei-o com a lâmina na mão, a simular o barbear. Apanhei um enorme susto, felizmente sem consequências. Está tudo dito, não está?

7 – Atirar lixo para o chão

Outra coisa básica, mas que nós adultos teimamos em fazer (eu não, garanto-vos!).  Não há desculpas para se atirar lixo para o chão. Nem em casa nem na rua. Uma dica: leve sempre consigo um pequeno saco, para se for necessário guardar o lixo que eles produzem. Voilá!

8 – Não usar cinto de segurança

Ainda há quem se esqueça que é necessário e obrigatório. E que salva muitas vidas. Mesmo em percursos pequenos, nunca se esqueça do seu e de o colocar nos miúdos. Lembre-se que, estatisticamente, a maioria dos acidentes acontecem a poucos metros de casa.

9 – Ofender alguém no trânsito

Ora aí está um dos piores hábitos que se pode ter: ofender ou fazer gestos obscenos no trânsito. Lembre-se que a probabilidade de o seu filho repetir o que ouvir da sua boca ou o vir fazer é enorme. Vá lá, respire fundo (outra vez), ignore e siga o seu caminho!

Vamos deixar de catalogar as crianças, se faz favor?

“És um bebé!”; “És mesmo teimoso!”; “Só fazes asneiras!”; “Não tens vergonha de ser preguiçoso?”.

O que sentiríamos, pensaríamos e decidiríamos se, no nosso local de trabalho, o nosso chefe passasse a vida a dizer “és sempre a mesma coisa!”, “não fazes nada bem!” ou “estás sempre a queixar-te!”?”

Quantas vezes brindamos os nossos filhos com estes “mimos” e outros do género? Ou ouvimos outros pais fazê-lo com os seus? E quais as suas consequências para a autoestima da criança?

Quando estamos cansados e sem paciência para procurar as razões que estão por detrás do comportamento, é mais fácil catalogar, colocar rótulos. Mas isso traz consequências negativas no futuro, sobretudo na autoestima.

“A classificação reflete a tendência de nossa identidade de se defender da diferença que o outro representa. Rotular é enquadrá-lo numa categoria que o reduza e simplifique para nós. É preciso um esforço para se afastar dos referenciais próprios e observar a beleza da diversidade”. – Eliana Braga Atihé

Reflexões sobre catalogar as crianças

Como se sentirá quem é catalogado ou rotulado?

Tentemos colocar-nos naquele lugar. O que sentiríamos, pensaríamos e decidiríamos se, no nosso local de trabalho, o nosso chefe passasse a vida a dizer “és sempre a mesma coisa!”, “não fazes nada bem!” ou “estás sempre a queixar-te!”?

Teríamos vontade de melhorar ou nem por isso?

E o que decidiríamos fazer dali para a frente?

Tal como os adultos, também as crianças agem melhor quando se sentem melhor. E às vezes é tão simples fazer a diferença. Pense nisto. 

Foto de Paula Perrier | Modelo: Max Fama/Kids)

Crianças precisam de micróbios para desenvolver a imunidade, não de antibióticos – dizem os cientistas.

“Especialistas acreditam que o exagero na limpeza está a contribuir para uma série de condições crónicas que vão de alergias a obesidade.”

Claro que é muito importante lavar as mãos. Mas o grande problema, no ocidente pelo menos, é o excesso de zelo na desinfeção da casa e esterilização de objetos.

A ciência mostra que livrar-se dos minúsculos organismos chamados de micróbios com desinfetantes de mãos, sabonetes antibacterianos e doses exageradas de antibióticos estão a causar um impacto terrivelmente negativo no sistema imunológico dos nossos filhos, diz a microbiologista Marie-Claire Arrieta, co-autora de um livro chamado Let them eat dirt”.

Especialistas acreditam que o exagero na limpeza está a contribuir para uma série de condições crónicas que vão de alergias a obesidade. Marie-Claire Arrieta explica que ao nascermos não temos micróbios. O nosso sistema imunológico está subdesenvolvido. No entanto, assim que os micróbios entram em acção,  activam o nosso sistema imunológico que começa a funcionar corretamente.

O excesso de higiene é uma hipótese que explica por que as alergias, a obesidade e as doenças inflamatórias, são doenças que têm vindo a aumentar a nível mundial. De acordo com Marie-Claire Arrieta, não é apenas uma questão genética. “Os nossos genes simplesmente não mudam tão rápido”.

As crianças precisam de micróbios

A pesquisa mostra consistentemente que essa falta de exposição aos micróbios contribui para o aparecimento destas doenças. Os especialistas consideram que esta exposição no início de vida é necessária para que o nosso sistema imunológico seja treinado adequadamente e, eventualmente, possam evitar o desenvolvimento dessas doenças.

Um desses dados mostram que crianças que crescem num ambiente rural têm menos chances de desenvolver asma, segundo evidências epidemiológicas. O que o estudo sugere é que viver em um ambiente sem o excesso de limpeza é realmente melhor.

A mesma lógica se aplica ao benefício de quem tem um animal de estimação, especificamente um cão. Estudos também mostraram que limpar tudo o que os bebés põem na boca aumenta as hipóteses de desenvolver asma. A incidência de asma diminui quando a chucha é limpa na boca dos pais.

Claro que a higiene é essencial para a nossa saúde. Não devemos parar de lavar as mãos. Mas o correto é fazê-lo de forma eficaz para a prevenção de doenças. Antes das refeições. Quando vamos ao hospital. Quando estamos com gripe, etc.

O que passar disso, não é necessário. Se o seu filho estiver a brincar com terra, não precisa de ir a correr lavar-lhe as mãos. Deve haver um equilíbrio entre prevenir a infecção, que ainda é uma ameaça real na sociedade, mas também promover esta exposição microbiana que, para os estudiosos, é saudável.

Texto original publicado no TheStar, adaptado por Up To Kids

8 formas de reforçar a conexão com os seus filhos diariamente

A relação emocional entre pais e filhos é algo que está sempre em desenvolvimento. Constrói-se todos os dias e é feita de pequenas coisas. Por vezes, corre bem, outras vezes, nem por isso. E, nos dias em que corre menos bem, é realmente preciso reforçar a conexão.

No entanto, a parentalidade é um trabalho contínuo no qual, tanto os pais, como os filhos, aprendem constantemente.

Crianças que cresçam com uma forte ligação com os pais têm mais facilidade em relacionarem-se com as outras pessoas. Além disso, são crianças que crescem mais saudáveis e felizes.

Assistir ao crescimento dos filhos, e ao processo de se tornarem cada vez mais independentes é ótimo. Ao mesmo tempo, é um desafio, pois há que reforçar a conexão com eles, e esse é um trabalho diário.

Reforçar a conexão com os seus filhos: 8 formas de o fazer diariamente

Com todos os desafios do dia a dia, por vezes é difícil chegar a todo o lado. Contas para pagar, desafios profissionais (e nós que gerimos um centro de estudos bem o sabemos)… No meio de tantas coisas, educar um filho é um dos desafios mais importantes de uma família, mas também um dos mais difíceis.

Há várias formas de reforçar os laços e promover uma maior ligação entre pais e filhos

1 – Tempo

Dar o nosso tempo a alguém é das coisas mais importantes que podemos fazer. Passe tempo de qualidade com o seu filho, converse com ele, façam alguma atividade em conjunto, vejam um filme…

Esteja presente durante todo esse tempo, observe-o e tente conhecê-lo melhor. Não se distraia com redes sociais, e-mails ou roupa para lavar…

Este tempo, sem distrações, será muito valioso para reforçar a conexão com o seu filho.

2 – Tenha empatia

Saber ouvir e colocarmo-nos no lugar do outro é uma das características mais valiosas que o ser humano pode desenvolver.

Entenda o seu filho, os desafios pelos quais está a passar, as suas dúvidas e inseguranças, sem julgamento ou crítica.

Pode ser muito difícil para os mais pequenos exporem as suas inseguranças, por receio da reação da outra pessoa. Por isso, apenas ouça e mostre interesse.

3 – Organize-se

Se tiver uma rotina mais ou menos definida, isso irá deixar-lhe tempo para se dedicar ao que realmente importa. A organização diminui o stress e aumenta a produtividade.

Isto aplica-se a vários aspetos da vida, e a vida familiar não é exceção.

Tendo uma rotina de tarefas e atividades, será mais fácil focar-se naquilo que interessa

4 – Brinque!

Esta é uma das coisas que mais vai reforçar a conexão entre pais e filhos. Muitas vezes, os adultos esquecem-se de ser crianças, e é tão bom brincar! Desarrume, suje-se, invente e deixe a sua espontaneidade fluir, sem filtros.

Sugestão: monte um acampamento dentro de casa, ou no jardim, se o tempo permitir. Uma pequena aventura, sem sair de casa, com direito a lanternas no escuro e muitas histórias para mais tarde recordar!

5 – Respeite o espaço do seu filho

As crianças também precisam da sua privacidade. Deve manter uma relação próxima com o seu filho mas sem invadir o espaço dele. Desta forma, ele vai sentir-se mais seguro.

6 – Saia da rotina

Na tal organização, que referimos acima, é importante deixar espaço para algum plano ou atividade fora do comum.

Um passeio a algum sítio novo, por exemplo, pode ser o suficiente para reforçar a conexão entre pais e filhos e viverem novas experiências em conjunto.

Além do mais, é algo que vai ficar sempre na memória dos mais pequenos!

7 – Estimule a partilha de tarefas em casa

Desta forma, irá juntar o útil ao agradável! Talvez as coisas não fiquem tão bem feitas logo de início, talvez demore um pouco mais de tempo.

No entanto, as tarefas domésticas não têm de ser chatas. Podem até ser divertidas e ajudam no desenvolvimento da criança, que se sentirá mais útil e responsável

8 – Leia para o seu filho

Crie um momento especial e explore toda a sua criatividade neste momento de leitura, tentando interpretar as vozes e estados de espírito dos personagens.

Como vê não é assim tão complicado reforçar a conexão com os seus filhos. Mas, este será um trabalho a ser realizado diariamente, pois só assim se conseguem alcançar resultados.

Programa da Tartaruga para Pais em Portugal

É frequente que as crianças de idade pré-escolar sintam medo e se retraíam quando se confrontam com pessoas, situações ou ambientes novos. Mas acabam por ultrapassar este medo e este retraimento iniciais. 

Algumas crianças podem demorar mais tempo a sentirem-se à vontade e a lidar com estes desafios. Dificuldade em juntar-se a crianças da mesma idade para brincar, a separar-se dos pais para explorar o ambiente. Dificuldade em falar com adultos com os quais não têm contacto regular, e a participar em atividades do jardim-de-infância ou outras atividades.

Os estudos mostram que, quando se prolongam no tempo, as dificuldades da criança em lidar com estes desafios podem afetar:

  • o seu bem-estar,
  • a relação que estabelece com as outras crianças da mesma idade
  • e a sua adaptação à escola.

Perante estas dificuldades, os pais podem sentir-se preocupados ou frustrados e nem sempre sabem como ajudar os seus filhos.

É importante que os pais tenham consciência que nem eles nem a criança têm culpa por este tipo de comportamento. Mas podem aprender e implementar algumas estratégias que podem ajudar as crianças a sentirem-se mais à vontade no dia-dia e a lidar de forma mais eficaz com estes desafios.

 

Quais os objetivos do Programa da Tartaruga?

Este projeto pretende

  • Adaptar para Portugal, implementar e avaliar um programa de intervenção dirigido aos pais e às crianças.
  • Ajudar os pais a conhecer e a implementar algumas estratégias que lhes permitam fortalecer a relação com os seus filhos através do brincar
  • Promover a confiança dos seus filhos para lidar com situações novas
  • Aumentar a cooperação e obediência dos seus filhos.

Paralelamente, as crianças terão oportunidade de conhecer e praticar estratégias que as ajudem a iniciar a interação com outras crianças, a comunicar com outras crianças e com os adultos, a expressar e a lidar com as emoções negativas (e.g., medo, frustração) de uma forma eficaz.

Programa da Tartaruga: Como funciona?

O Projeto Tartaruga é um programa de intervenção gratuito. Composto por oito encontros semanais em grupo (com 5-6 famílias) com duração de cerca de duas horas, num dia/horário a combinar de acordo com a disponibilidade das famílias.

Quem pode participar? Onde se dinamiza?

Podem participar neste programa mães, pais e crianças de idade pré-escolar (3-5 anos).

Estes encontros serão dinamizados no ISPA-Instituto Universitário (Lisboa), por psicólogos do Centro da Criança e da Família, William James Center for Research, ISPA-Instituto Universitário.

Quem está a desenvolver e apoiar este projecto?

Uma equipa de psicólogos do Centro da Criança e da Família do William James Center for Research, ISPA-Instituto Universitário. O projeto é apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (SFRH/BPD/11484/2016) e pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Visite a página de facebook para mais informações. Ou contacte por email: mguedes@ispa.pt | programadatartarugaparapais@gmail.com

*O Programa da Tartaruga foi desenvolvido com base na evidência. Tem resultados comprovados nos EUA (Chronis-Tuscano e colaboradores, 2015).

 

6 coisas que os filhos adolescentes precisam de nós

“Não vale a pena. Na maior parte das vezes, ninguém lá em casa se interessa pela minha opinião ou sequer conhece as coisas que me preocupam. Simplesmente, já me habituei.”

Ela chama-se Joana. Tem 15 anos. Tem uma família que a ama. Sabe disso. Mas às vezes, sabê-lo não é suficiente, mesmo que nos digam que assim é. Às vezes (muitas vezes), é preciso sentir. É preciso que aqueles de quem mais gostamos parem a rotina dos dias, nos olhem nos olhos e perguntem: “Como estás?”. E depois sejam capazes de esperar pela resposta, e ouvi-la. Com o corpo todo.

A história da Joana, que se assemelha às histórias de muitos outros miúdos que conheço, faz-me pensar sobre aquilo que os nossos filhos podem precisar de nós, sobretudo quando entram na adolescência e lidam com um sem fim de mudanças, às vezes tão difíceis de integrar. Profundamente crente que a consciência que temos, enquanto pais e mães, destas necessidades pode ter um impacto importante na relação que com eles construímos todos os dias, melhorando-a, arrisco-me a propor que pensemos naquilo que os filhos adolescentes precisam de nós:

1. Os filhos adolescentes precisam dos nossos limites.

Poder-se-ia pensar que o que mais desejariam no mundo seria andar por sua conta e risco, sem horários, nem justificações. Nada disso (e são eles que o dizem!). Não existe sensação de maior segurança afetiva do que a de saber que existe alguém que se preocupa. Alguém que espera por nós, que se zanga quando pisamos a linha para além do aceitável. Faz-nos sentir amados. Estabelecer as regras da família, que incluem os horários de regresso, as tarefas em casa, mas também o respeito e a clareza dos diferentes papéis familiares, e acordar consequências para o não cumprimento do que foi definido, é fundamental para que se sintam mais seguros. De quem são e do que esperam de si.

2. Precisam que os libertemos.

Embora às vezes surja alguma confusão em relação a este assunto, permitir-lhes mais liberdade nada tem a ver com a ausência de limites. Tem a ver com deixá-los experimentar coisas novas, ser autónomos, conquistar responsabilidades, fazer amigos… É assim que conhecem o mundo e se preparam para se tornarem adultos.

3. Precisam que os saibamos ouvir.

Eles precisam de falar. Uns fazem-nos com mais facilidade e com mais pormenor do que outros, mas fazem-no sempre que lhes é dada oportunidade ou quando sentem que é o momento. Ouvir até ao fim, sem a pretensão de acharmos que já sabemos o que vai sair dali (mesmo que em 99% das vezes seja verdade…). Ouvir sem criticar e sem fazer piadas irónicas. Ouvir, tentando imaginar o que sentem. E sempre, entender os silêncios e não desistir.

4. Os filhos adolescentes precisam dos nossos mimos.

É natural enchê-los de beijos e de festas quando são pequeninos e fofos. À medida que crescem, podemos facilmente perder o hábito do toque. Ou porque eles rejeitam, ou porque nos sentimos sem jeito. É normal que não queiram andar a receber beijos constantes da mãe ou do pai (sobretudo se há amigos por perto), mas saber-lhes-á muito bem receber um beijo ou um abraço apertado de bons dias, ou uma festa na cabeça quando passamos por perto. O toque é importante e deve manter-se como forma de comunicação, ainda que com o devido enquadramento que esta fase de vida geralmente exige.

5. Precisam que os queiramos conhecer.

Sim, nós conhecemo-los melhor do que ninguém, mas eles continuam a mudar todos os dias. Saber mais sobre a música que ouvem, a pessoa de quem gostam, as dificuldades que têm na escola ou os projetos de vida, dá-nos muito tema de conversa e fá-los sentir que somos capazes de nos descentrar de nós e daquilo a que estamos habituados, e aprender.

E porque esta reflexão já vai longa, talvez porque enorme é o desafio de ajudar um filho a crescer, há uma coisa que eles precisarão sempre, por mais anos que passem:

6. Precisam que acreditemos, sem nunca desistir da pessoa que são.

A vida às vezes não é fácil e a adolescência não o é com toda a certeza (lembras-te?). É não sabermos bem quem somos e absorvermos tudo o que dizem de nós. É arriscar o que nunca se fez e, quando dá para o torto, achar que é o fim o mundo. É um sem fim de coisas novas a acontecer que constantemente desafiam e ameaçam a pessoa que queremos ser. E claro, no meio de todo este turbilhão de emoções e de incertezas, é preciso alguém que acredite, que insista e que diga: “Vai em frente!”. Todos os dias.

É pela importância disto que as bancadas da primeira fila estão reservadas às mães, aos pais, aos avós… É por causa disto que eles as procuram com os olhos e sorriem por dentro, sempre que as encontram cheias.

A Matilde nasceu a 12 de Abril deste ano, tem um mano Rodrigo de 18 meses, e uma mana mais velha, a Thaís com 11 anos.

“Com 1 mês e meio a Matilde foi diagnosticada com Atrofia Muscular Espinhal Tipo I. A forma mais grave e fatal desta doença rara. É a notícia mais devastadora que alguém pode dar a um pai ou uma mãe…”

A Atrofia Muscular Espinhal Tipo I

É uma doença degenerativa neuromuscular autossómica recessiva frequente, reportada em 1/10.000 nados vivos e a principal causa genética de morte, atualmente.

O neurónios que partem da espinal medula e que transmitem informação aos músculos, vão progressivamente morrendo e o doente apesar de poder ter inicialmente ter uma força muscular normal, vai perdendo força e desenvolvendo atrofia muscular, paralisia progressiva e perda de capacidades motoras. Afeta todos os músculos do nosso corpo, poupando habitualmente a face. Além da fraqueza dos músculos membros, os músculos respiratórios são afetados condicionando insuficiência respiratória progressiva e geralmente numa fase mais avançada, dificuldades na deglutição. A fraqueza predomina nos músculos proximais, de forma mais marcada nos membros inferiores e acompanhando-se geralmente de escoliose.

O Tipo 1 (anteriormente conhecido como doença de Werdnig-Hoffman), que se manifesta antes dos 6 meses de vida, na qual as crianças nunca adquirem a posição de sentado independente e falecem (ou ficam dependentes de ventilação 24h) antes dos 2 anos de vida. Caracteriza-se por uma hipotonia grave, dificuldade no controle cefálico, dificuldades com o controlo da deglutição e insuficiência respiratória precoce.

O Diagnóstico e a Matilde

Os pais sempre acharam que a Matilde era diferente dos outros meninos. Mais molinha e por vezes engasgava-se a mamar. Quando a iam pesar perguntavam à enfermeira se era normal. Estavam preocupados. Na consulta de 1 mês, a Matilde não fazia algumas coisas que seria suposto fazer. A mãe, ainda mais preocupada, perguntou à doutora se era normal ao que respondeu: “os bebés não são todos iguais uns fazem umas coisas mais cedo que outros.”

Mas as mães têm um sexto sentido e pressentem quando os filhos não estão bem. E a mãe da Matilde, infelizmente, não estava enganada.

… o Dr. José Carlos Ferreira da Neuro pediatria, foi ter connosco para me observar e dizer o que achava que eu podia ter, e disse à mamã que o mais provável era ser uma doença genética rara e que era mau… a mamã e o papá choraram muito todos os dias…”

Com 1 mês e meio a Matilde foi diagnosticada com Atrofia Muscular Espinhal Tipo I. A forma mais grave e fatal desta doença rara.

É a notícia mais devastadora que alguém pode dar a um pai ou uma mãe…

A Matilde foi internada durante 2 semanas, começou a beber o leitinho pelo o biberão e a fazer fisioterapia com a Carolina, que ensinou aos pais uns exercícios de estimulação.

Na consulta de Neuropediatra especialista em doenças raras degenerativas – no Hospital Santa Maria também concordavam com o diagnóstico e pediram uma análise que conseguia os resultados do estudo genético em 4 dias. Explicaram aos pais o tratamento disponível que podia melhorar as funções motora e respiratória e a sobrevida. Que a Matilde iria ter de usar um suporte respiratório à noite para ajudar a expandir os pulmões e outros cuidados.
Teve alta do hospital no dia 07 à tarde e veio a confirmação do diagnóstico. Informaram do hospital que iriam pedir o medicamento para começar as injeções que ajudam a travar a progressão desta doença.
Mas os pais não desistem. Naturalmente. Eu faria e daria tudo para salvar a vida a um filho.
No dia 26 a Matilde voltou a ser internada, desta vez com insuficiência respiratória.

O Tratamento

Existe um medicamento novo Zolgensma “gene therapy” aprovado agora nos EUA pela FDA e que já foi enviado para a EMA para aprovação na Europa, que poderá ser a cura para esta doença, mas é “só” o medicamento mais caro do mundo e ainda vai demorar a chegar a Portugal (se chegar).

São cerca de 1.9 milhões de euros, mas neste momento é a única esperança para salvar a vida à Matilde.

Como ajudar

Carla e Miguel Sande, os pais, criaram uma conta solidária em nome de Matilde Sande – PT50 0035 0685 00008068 130 56 – Caixa Geral de Depósitos.
Criaram também uma página de FB  Matilde, uma bebé especial.
Os pais têm estado constantemente a actualizar  a página de Fb que criaram para este fim. Aqui fazem o ponto de situação dos donativos, com imagens do saldo de conta, fazem agradecimentos, e mais importante, partilham connosco o estado da pequena Matilde!

Olá meus queridos, 
Hoje estou um pouco mais calma, mas não passei bem a noite… ????
Tive febre e ainda me estou a adaptar à máscara da máquina de ventilação assistida. 
Mas vou continuar internada a tomar o antibiótico e a fazer a ventilação 24 horas…

Obrigada a todos pela a vossa preocupação e pelo vosso carinho, por caminharem junto connosco.”

E Ontem, mais uma vez:

“Olá meu queridos
Queria dizer vos que passei bem a noite… 
Estou a recuperar bem e ja respiro melhor, não tenho feito febre. 
Continuo a fazer antibiótico. Mas já tenho a máquina de ventilação assistida que vou usar em casa.

Obrigada mais uma vez a todos os que caminham ao nosso lado e que acreditam! 
Pelas orações e boas energias que nos têm enviado “

Agora toda a ajuda é bem vinda.
E se fosse consigo?

Matilde Sande – PT50 0035 0685 00008068 130 56 – Caixa Geral de Depósitos.

Neste momento já angariaram cerca de 1 milhão e 294 mil euros. Já faltou mais. Vamos ajudar a Matilde?

Eu fui à Feira do Livro

Este ano mais uma vez cumpri a tradição de ir à Feira do Livro de Lisboa… eu e mais não sei quantas mil pessoas! Mas eu fui com olhos atentos e ouvidos à escuta pois gosto de absorver tudo o que se passa à minha volta, não só os livros como todo o ambiente.

Fui em três visitas diferentes com três objetivos diferentes.

A primeira foi sozinha para fazer uma exploração exaustiva, demorar o tempo que fosse preciso em cada pavilhão, fazer as minhas compras com tempo e disponibilidade.

A segunda vez foi para dinamizar uma hora do conto a convite de uma editora.

A terceira vez foi um passeio em família em que os filhos aproveitaram para fazer as suas próprias escolhas e compras.

Alguns factos e curiosidades sobre a Feira este ano.

Foi a maior (em tamanho) desde sempre. Durou 19 dias, teve mais de 300 pavilhões e foi frequentada por milhares de pessoas. Realizaram-se cerca de 2100 eventos. Havia livros à venda para todas as carteiras, desde 80 cêntimos até mais de 100 euros. Ao escrever este texto ainda não tinha sido divulgado o número certo de visitantes ou de livros vendidos, mas fico à espera pois estou curiosa.

Algumas opiniões e considerações pessoais sobre o mesmo tema.

Cada vez mais vale tudo na hora de chamar as pessoas à feira. Brindes, jogos, personagens dos livros, pinturas faciais….até uma vista do céu ao telescópio houve!

A exposição “leitura em família”, da APEL valeu a pena para quem tirou uns minutos para a ler com atenção. Tinha algumas dicas importantes que muitos adultos deveriam ler.  O espaço Sensório Forbrain, para uma experiência sensorial da leitura (que não tive oportunidade de visitar) pareceu-me uma ideia genial e uma abordagem diferente à leitura. Fiquei com vontade de explorar melhor essa temática.

Há cada vez mais famílias percebem a importância dos livros na infância e estão dispostos a gastar algum do orçamento familiar para satisfazer essa necessidade (ainda que seja apenas uma vez por ano). Há também aquelas para quem a vista à Feira do Livro tem mais a ver com o passeio e toda a agitação mediática do que propriamente com os livros. Há famílias que já têm algum cuidado na escolha dos livros, procuram cada vez mais a qualidade. Há famílias para quem o fator monetário é critério de seleção. Mas o mais importante é que há famílias na Feira do Livro.

E desse lado, quem foi à Feira do Livro?

O que viram, o que compraram, o que gostaram?

image@NIT

“Adoro-te filho … mas tenho que ir preparar o jantar. Esqueci-me de descongelar qualquer coisa e tenho que improvisar, vou fazer uma sopa com o que tiver no frigorífico, mas prometo que antes de ires dormir vejo isso com calma.”

Adoro-te filho, mas já estou atrasado para ir trabalhar.

Tenho de ganhar dinheirinho para pagar a renda, comprar comida e aqueles brinquedos que tu gostas. Mas logo à noite prometo que vejo isso com calma.

Adoro-te mau filho, mas tenho que ir preparar o jantar. Esqueci-me de descongelar qualquer coisa e tenho que improvisar, vou fazer uma sopa com o que tiver no frigorífico, mas prometo que antes de ires dormir vejo isso com calma.

Adoro-te mas tens que ir dormir porque amanhã tens de acordar cedo e não podemos chegar atrasados à escola. Mas ao pequeno almoço prometo que vejo isso com calma.

Adoro-te filho, mas adormeci e agora tens de ir a comer pelo caminho. Escolhe lá um iogurte e eu preparo-te uma sandes. Hoje devo sair mais cedo do trabalho e prometo que vejo isso com calma.

Adoro-te filho, mas chamaram-me para uma reunião quando estava mesmo a sair e já não consegui vir mais cedo. Agora vamos a correr para casa e prometo que vejo isso com calma.

Adoro-te, mas a avó ligou a desabafar por causa do avô e tive que a animar.  Vamos tomar banho num instante, jantamos e depois prometo que vejo isso com calma.

Adoro-te filho, não percebo porque é que agora me tratas assim, com tanta indiferença. Porque é que não queres estar comigo nem tens tempo para vermos isto com calma. Eu que te adoro tanto e que fiz tudo por ti.

LER TAMBÉM…

(mais) 5 minutos

Um dia acordas e o tempo passou assim;

O mau humor do pai afeta o desenvolvimento intelectual dos filhos

Não precisamos de passeios largos, precisamos de mais tempo com as nossas crianças!

O mito do tempo de qualidade